Materialismo Espiritualismo

Tuesday, June 17, 2008




Rindo como nós, avançando como nós, dançando como nós, vestindo-te como nós, sonhando como nós, pensando como nós. Sê como nós. Obdece. Olha a tua pose, olha o que nós pensamos de ti, comporta-te como nós. Pois nós somos tudo e tudo somos nós. Nós ditamos as regras. Nós somos as regras. Nós é que sabemos o que está certo, o que está errado. Vê isto, joga isto, pensa isto, somos nós que ordenamos. Nós fazemos-te uma lavagem cerebral, para seres como nós. Agarra-te aquilo que é o poder, ou seja nós. Não tentes separar-te de nós, pois nós te iremos desprezar. Se te separares para nós estarás morto. É a tua tragédia debaixo do Sol gelado.

Materialismo. É o que a maior parte deste mundo deseja. Pensar. Simplesmente tudo o que seja material. Quero ter um Ferrari, quero ter uma mansão, quero ser melhor que este ou que aquele, quero ter dinheiro. Quero ter todo o prazer carnal possível. Venha o dinheiro! Dinheiro é poder! Sem dinheiro nada somos, nem sequer humanos somos. Somos animais. Não-civilizados. Logo, venha o dinheiro! Para ter todos os meus desejos. Para ter todas as outras pessoas a minha voda a venerarem-me, para comer todas aquelas que me apetecem, é bom, sabe bem, logo faço! Sou eu que importo! Desde que mantenha a boa figura para os outros, faço aquilo que quiser, não me interessa os outros! É simples! Faço tudo o que quero, não quero saber das consequências.

Espiritualismo. Trascendo. Poucos sentem, mas os que sentem, verdadeiramente podem-se considerar felizes. Compreendem o mundo, sem sequer necessitarem de pensar. São uno com a natureza. Posses materiais são desnecessárias, somente as querem para a sobrevivência ou para algum conforto, porém nada de especial. Desde que sintam que fazem algo bem. A felicidade é eterna, simples e eterna. É a beleza. É o som dos anjos a cantar. É a luz radiante entre as folhas das árvores. É a beleza de toda a natureza. Faço tudo o que quero, porém para obter tal felicidade, peso as consequências, sinto o que está mal e o que está certo, sem pensar no que as outras pessoas acharão de mim. Deixo-me avançar, sem forçar o meu destino. Se tem que acontecer, acontece. É esse o meu estado mental. Sinto que se deve fazer, é isso que vem do meu coração.

linha

Saturday, June 7, 2008




Uma linha do corpo, sim, uma linha. Uma linha do teu braço magro. Uma veia por onde corre o teu encarnado sangue. Uma linha. Uma linha representante teu. Uma linha mostra aquilo que és, aquilo que choras, aquilo que amas. Uma linha. Percorro a linha. Pulso, mão, dedo. Anel, utilizas um anel. Cinzento, cinzento como tu, morto, vivo... Representante do teu estado de espírito. O que sentes. O teu mundo, a tua glória, a tua fortuna. O mundo. O teu mundo. Pensamento pré-fabricado desde nascença. Uma luz morta, formada a partir de uma visão abstrata. Abstrato tudo é, tudo somos. Gente perdida, massas incontroláveis. Vultos e silhuetas bizarras, Nevoeiro materialista. Refugio-me no meu espaço, em santuários que não passam de infantilidades. Fujo de tudo o que me é negativo, assusto-me. Num santuário. Escondo-me, é o objectivo do sanctuário. Escondo-me e penso. Penso. Penso. Penso. Penso. Penso. Penso. Ainda finjo que penso. Finjo que penso. Penso naquilo que se passa à minha volta. Penso e torno-me apático. A minha volta só vejo a tristeza, o medo, o desgosto. Choros e mais choros, raivas e mais raivas. Fecho os olhos. Estou no meu sanctuário. Espero que o tempo negro acabe. Passa tempo. Vento do tempo, sopra mais rapidamente. Trás-me aquilo que eu quero. Sopra. Sopra. Sopra! Mas tu não queres soprar. Que fazes vento? Nem um sussurro tu me envias. Quero-te ouvir. Por favor. Quero-te ouvir. Gritas mas não te ouço. Simplesmente esperarei que mandes um berro, como nunca eu ouvi. Transportar-me-ás pelo destino. Refugiar-me-ás no mundo de Hades, enquanto eu não estiver composto. Sem medo. Sem receio. Sem nada. Nessa altura irei aperceber-me que sou parte do teu exército. Um exército sem sentimentos. Um exército como outro qualquer. Mas então, nessa altura eu lembrar-me-ei. Lembrar-me-ei de uma linha. Uma linha do teu braço magro. Uma linha do meu braço magro. Uma linha que nós somos e nada mais. Uma linha onde tudo começa. Uma linha onde tudo acaba.

O ataque

Friday, June 6, 2008




Sinto a hora a chegar,
A verdadeira hora onde tudo culminará.
O tempo a voar,
O céu a sangrar.

Finalmente chegou a hora,
Hora de empunhar as minhas asas,
Negras como as de um corvo,
Benovolentes como as do Anjo da Morte.

Recorro as minhas armas,
O bastão e a espada,
A defesa e o ataque.
Ambas as minhas mãos estão equipadas.

Preparado para voar,
Olho para o céu,
Abro as asas,
Levanto vôo.

Em direcção ao ataque eu vou!
Espíritos ocupadores de mentes,
Inveja e orgulho é a vossa fé!
Espíritos malditos, afastem-se!

Cinco, ouve a minha voz,
Não ouças as suas blasfémias,
Corta-lhes as frases,
Enfeitiça os seus segredos!

Cinco, vê o meu ataque,
Afasto-os com as minhas armas,
As minhas asas brilham sobre tal carnificina
Até tu voltares ao teu verdadeiro estado.

Torno as minhas armas numa só.
A Foice de todo o destino
Transportadora do vento que tanto nos guia.
E acabo com o teu mal.

Agora viaja comigo,
Pela noite estrelada.
És aquilo que tu foste,
Aquilo que eu sempre gostei.