O sonho real

Wednesday, December 17, 2008





Numa noite aterefada
Ele chega.
Cansado e sedento.
O seu fogo não é intenso.

Caminhando sobre escuros corredores.
Ele avança, suspirando.
Pela porta da direita
Ele entra.

Aí está alguem,
Coberta até ao pescoço
Cobertores e lençois.
Protegida do frio.

Avança até a sua cara.
Depara-se com uma bela visão:
Um pacifismo intenso, esbelto.
Com um sorriso belo na face.

O seu fogo atiça.
A cobiça aumenta.
Tal beleza, tal doçura,
Como lhe é possivel resistir?

Aproxima-se devagarinho.
Beijando-lhe a face, com doçura
Ela não desperta, ele não a acorda.
Combatendo ao impulso, ele não lhe resiste.

Mexe-lhe no cabelo levemente.
No seu cabelo reluzente
Mar castanho e dourado,
Mar aromático.

Lentamente, remove a roupa
A sua roupa, a roupa da cama.
Verifica que os seus seios estão descobertos,
Ela está coberta somente por uma fina camada.

A beleza do seu corpo,
Ele aprecia. A sua pele
Não muito bronzeada
Com pequenos sinais. Aqui e ali.

A sua mão procura o conforto do seio
Levemente, não a acordando
Ele passeia-se, tocando em cada sinal
Em cada ponto dos seios.

A boca dirige-se ao pescoço,
Beijos descem pelo corpo abaixo
Seios, barriga, pernas.
Ela treme minimamente.

A uma gaveta ele vai buscar
Uma prateada tesoura.
Cortando de lado,
A única peça que a cobre.

Totalmente despida ela está.
Com as mãos ele pesquisa,
A sua parte mais intima
Um pequeno gemido é solto.

Avançando com as mãos,
Ele a encontra por completo.
Inspirando-lhe o corpo todo,
Na testa ele lhe beija.

"Prepara-te, contigo eu farei amor,
Eu preciso tanto, de estar contigo,
Cai sobre a força da paixão comigo,
Perdidos num momento."

Lentamente, olhos abrem-se
Deparando-se com uma familiar cara.
Sorri lindamente,
E convida-o.

Não aguentando mais,
Ele avança em todo o seu explendor.
Sentido-a a abraça-la.
Um gemido é solto.

O grande prazer começa.
Ela abraça-o, arranhando-lhe as costas
Ele mais estimulado avança!
Ela acorda por completo e geme.
Ele beija-a profundamente.

Ela menciona palavras de desejo,
Ele cumpre-as.
Ela leva as mão a cabeça de êxtase.
Ele respira o odor dos seios.

Ela deita-se na cama completamente.
Cansada de tanto prazer
Porem querendo mais,
Provocando-o, o chama.

Ele provocado avança.
Uma insanidade sexual o apodera.
Rapidamente se movimenta.
Querendo-a como nunca a quis.

Finalmente eles se libertam.
Ele sobre ela espalha o seu fruto.
Ela agarra os lençois.
A luta enfurecida acabou.

Um beijo ele dá,
Abraçado por ele ela está.
Ambos caem em silêncio.
Adormecidos sorbre os mantos de Morfeus.

Casa da Solidão

Sunday, December 7, 2008

Caminhando sozinho,
O poeta avança.
Na casa da Solidão,
O seu coração fica sem esperança.

Sorrisos e sorrisos.
Afectos e afectos.
Sempre o número dois. Dois.
Na casa da Solidão ele é um.

Pares à toda a sua volta ele vê.
O mundo rodopiando sobre ele.
Vultos ligados, vultos ligados.
Manchas entrelaçadas, Manchas entrelaçadas.

Entre beijos e beijos,
Ele caminha na casa.
Vê um vulto sozinho.
És tu o meu par?

Vulto, torna-se dois.
Mais beijos e beijos.
Sempre ele continua sozinho.
Olhando, procura-a, não a encontrando.

Vê prendas a serem dadas.
Também as quero receber e oferecer.
Mãos ligadas.
Também as quero ter.

Apesar de tanta gente haver,
Naquela casa ele sente-se único.
Apesar de tanta gente o ver,
Ninguém é único.

Nas escadas ele se senta.
Observando, os milhões de afectos.
Arruinando-se, mascarando-se.
Pois nas escadas da Solidão ele está. Sozinho.

campos da euforia

Wednesday, December 3, 2008

Nos campos da euforia
De costas te vejo.
Andando sobre o trigo dourado.

Estou sozinho,
No Pôr do Sol.
Não quero estar mais.
Não tenho medo.

Corro para ti.
O teu chapéu voa.
O cabelo ondula.
E finalmente te vejo a cara.

Abrando o meu passo
Ao ir para o teu lado.
As minhas mãos eu passeio,
Sobre o dourado, o dourado que deparo.

A tua luz reflete-se.
Pássaros esvoaçam sobre nós.
As suas asas brilhantes.
Os meus desejos de esperança.

Chegou o tempo,
O tempo de voltar ao que dantes eu fui.
A reanimação do coração.
Sintir-me de novo vivo.

A estrela

Tuesday, December 2, 2008


Com a mão dada,
Para ti olho.
Com a alma dada,
A ti te desejo.

Encosto-te a parede,
A minha cara frente à tua,
Na neve, o meu bafo e o teu se encontram.
E no momento os lábios se beijam.

Empurro-te, libertando-me
De ti e da parede.
Corro, oferece-me
A tua mão.

Ofegantes chegamos.
Beijo-te, beijo-te, beijo-te.
Quero-te, quero-te, quero-te.
Ofegante, a minha mente pára nos teus lábios.

Pego-te pelo colarinho.
Arrastando-te aos beijos.
Caio na cama, devota.
Em cima de mim te encontro, vencedor do coração.

Olho para ti, a minha face cai sobre a tua.
Um gentil beijo te dou.
Os teus lábios carnudos eu sinto.
A pressão contra mim de amor.

Sinto-te em baixo.
A pressão deixa-me ofegante.
Mil suspiros de prazer dou.
Sinto-te, todo o teu desejo, sinto-te.

Estou no teu pescoço.
Vampiro sem presas.
As minhas costas arranhas.
Uma doce luta.

Sento-me em cima de ti.
Tirando as camisolas que usas, beijo-te.
Deparo o teu tronco nu.
Com os lábios percorro-o.

Sinto os teus lábios pelo meu tronco.
Que perdição me encontro.
Desces com a língua onde eu mais te ansio.
Perdido por ti.

Toco-te. Desaperto-te, e toco-te.
A minha língua move-se deliciada.
Os meus dedos, brincam.
A minha mente devota de ansiedade.

Expões-me.
A tua lingua move-se desde o final até ao ponto.
Beijas o meu ser ardente.
E engolindo-o o apaguizas.

Esforço-me por te ver.
A tua cara de prazer.
Acaraciando-te.
Quero-te mais.

Retiro-te de mim.
Ponho-me no teu cimo.
Beijando-te dispo-te.
Olho então para ti.

Ficas a olhar.
A tua cara repleta de paz.
Desces sobre os meus seios com a boca.
Roçando-te em mim, me excitas.

Desço, beijando-te.
Deparo-me com a mais bela flor.
Beijando-a, humidecendo-a,
Te ouço a gemer.

Sem me controlar, pego na tua cara e beijo-te
Sussurro-te:
És o Sol que me aquece.
És a água em que me repouso.

Nesta fantasia real,
O exctâse se apudera.
Ao ver as tuas pernas abertas.
Possuo-te.

Sinto-te a romper-me.
Uma estranha dureza, agradável.
Ofegante mordo o teu pescoço.
Um ponto morto no tempo.

Um momento em que me perco.
Não vejo nada.
Só a ti. Continuo, na minha batalha.
Tu a gemeres, eu a contorcer-me.

Mando-te para baixo de mim.
Deslizo. Deslizo. Movo-me.
O teu exctâse está no alto.
Vens até mim beijando-me, acaraciando-me os seios.

Sinto-te com força
A arranhares-me estás.
Só eu e tu, neste mundo.
Estou no meu ponto.

Não aguento mais.
Um grito de prazer dou.
Sinto-te. Sinto aquilo que me deste.
Uma memória parada.

A minha mente está congelada.
Tudo o que vejo,és tu.
Beijo-te o pescoço, enquanto que me cais em cima.
Cansada, me sussurras.

Ouço o teu coração.
Batendo lentamente.
Uma sensação pacifica se apodera.
Dirijo-te uma palavra.

Desta fantasia,
Acordo.
Apercebendo-me que tudo foi um sonho.
Um sonho de uma estrela cadente.

money!!!!

Thursday, July 3, 2008




Dispara, dispara!
Fornece-me aquilo que eu necessito!
Dá-me tudo o que tens para dar.
A maneira mais fácil é a melhor!

Depois deste meu grande dia de trabalho,
Esforçado, continuado,
Estou em casa. Vou ver futebol!
Trata de mim que tou cansado.

Final do mês! Finalmente,
Venha o verde! Venha o dinheiro!
Preciso dele, necessito dele!
Tenho que juntar mais, mais, mais!

Guardo-o comigo, o meu precioso dinheiro!
Quero-o só para mim! Olhem o quanto belo ele é!
Crise no mundo?! Pois claro! Gastam todo o seu dinheiro!
Conservem-no! E porque é que a televisão acabou de avariar? Filha da puta!

Espiritualidades? Que é essa merda?
Não me acredito! Só acredito naquilo que consigo tocar!
Só acredito no dinheiro! O dinheiro é
O meu Deus e o meu Senhor!

Porque apareceste na minha vida?
Porque é que eu tenho que te dar o meu precioso dinheiro?
Aquele que tanto me custou a ter? Fodasse,
Começa mas é a fazer a tua carreira e ganho-o tu!
Quero-te longe!

Assim estou contente!
E contente eu morrerei!
O dinheiro e tudo aquilo que me interessa!
Quero-o todo!

Materialismo Espiritualismo

Tuesday, June 17, 2008




Rindo como nós, avançando como nós, dançando como nós, vestindo-te como nós, sonhando como nós, pensando como nós. Sê como nós. Obdece. Olha a tua pose, olha o que nós pensamos de ti, comporta-te como nós. Pois nós somos tudo e tudo somos nós. Nós ditamos as regras. Nós somos as regras. Nós é que sabemos o que está certo, o que está errado. Vê isto, joga isto, pensa isto, somos nós que ordenamos. Nós fazemos-te uma lavagem cerebral, para seres como nós. Agarra-te aquilo que é o poder, ou seja nós. Não tentes separar-te de nós, pois nós te iremos desprezar. Se te separares para nós estarás morto. É a tua tragédia debaixo do Sol gelado.

Materialismo. É o que a maior parte deste mundo deseja. Pensar. Simplesmente tudo o que seja material. Quero ter um Ferrari, quero ter uma mansão, quero ser melhor que este ou que aquele, quero ter dinheiro. Quero ter todo o prazer carnal possível. Venha o dinheiro! Dinheiro é poder! Sem dinheiro nada somos, nem sequer humanos somos. Somos animais. Não-civilizados. Logo, venha o dinheiro! Para ter todos os meus desejos. Para ter todas as outras pessoas a minha voda a venerarem-me, para comer todas aquelas que me apetecem, é bom, sabe bem, logo faço! Sou eu que importo! Desde que mantenha a boa figura para os outros, faço aquilo que quiser, não me interessa os outros! É simples! Faço tudo o que quero, não quero saber das consequências.

Espiritualismo. Trascendo. Poucos sentem, mas os que sentem, verdadeiramente podem-se considerar felizes. Compreendem o mundo, sem sequer necessitarem de pensar. São uno com a natureza. Posses materiais são desnecessárias, somente as querem para a sobrevivência ou para algum conforto, porém nada de especial. Desde que sintam que fazem algo bem. A felicidade é eterna, simples e eterna. É a beleza. É o som dos anjos a cantar. É a luz radiante entre as folhas das árvores. É a beleza de toda a natureza. Faço tudo o que quero, porém para obter tal felicidade, peso as consequências, sinto o que está mal e o que está certo, sem pensar no que as outras pessoas acharão de mim. Deixo-me avançar, sem forçar o meu destino. Se tem que acontecer, acontece. É esse o meu estado mental. Sinto que se deve fazer, é isso que vem do meu coração.

linha

Saturday, June 7, 2008




Uma linha do corpo, sim, uma linha. Uma linha do teu braço magro. Uma veia por onde corre o teu encarnado sangue. Uma linha. Uma linha representante teu. Uma linha mostra aquilo que és, aquilo que choras, aquilo que amas. Uma linha. Percorro a linha. Pulso, mão, dedo. Anel, utilizas um anel. Cinzento, cinzento como tu, morto, vivo... Representante do teu estado de espírito. O que sentes. O teu mundo, a tua glória, a tua fortuna. O mundo. O teu mundo. Pensamento pré-fabricado desde nascença. Uma luz morta, formada a partir de uma visão abstrata. Abstrato tudo é, tudo somos. Gente perdida, massas incontroláveis. Vultos e silhuetas bizarras, Nevoeiro materialista. Refugio-me no meu espaço, em santuários que não passam de infantilidades. Fujo de tudo o que me é negativo, assusto-me. Num santuário. Escondo-me, é o objectivo do sanctuário. Escondo-me e penso. Penso. Penso. Penso. Penso. Penso. Penso. Ainda finjo que penso. Finjo que penso. Penso naquilo que se passa à minha volta. Penso e torno-me apático. A minha volta só vejo a tristeza, o medo, o desgosto. Choros e mais choros, raivas e mais raivas. Fecho os olhos. Estou no meu sanctuário. Espero que o tempo negro acabe. Passa tempo. Vento do tempo, sopra mais rapidamente. Trás-me aquilo que eu quero. Sopra. Sopra. Sopra! Mas tu não queres soprar. Que fazes vento? Nem um sussurro tu me envias. Quero-te ouvir. Por favor. Quero-te ouvir. Gritas mas não te ouço. Simplesmente esperarei que mandes um berro, como nunca eu ouvi. Transportar-me-ás pelo destino. Refugiar-me-ás no mundo de Hades, enquanto eu não estiver composto. Sem medo. Sem receio. Sem nada. Nessa altura irei aperceber-me que sou parte do teu exército. Um exército sem sentimentos. Um exército como outro qualquer. Mas então, nessa altura eu lembrar-me-ei. Lembrar-me-ei de uma linha. Uma linha do teu braço magro. Uma linha do meu braço magro. Uma linha que nós somos e nada mais. Uma linha onde tudo começa. Uma linha onde tudo acaba.